À medida que os processos produtivos evoluem, cresce também a necessidade de representá-los de forma clara, organizada e eficiente dentro do ERP. Empresas que trabalham com produtos intermediários, múltiplas etapas de transformação ou operações de beneficiamento frequentemente precisam lidar com estruturas produtivas complexas, que exigem um controle rigoroso para garantir a rastreabilidade dos materiais, a correta apuração dos custos e a continuidade do processo de fabricação.
Foi para atender esse tipo de cenário que surgiu o conceito de Formulações Monoestruturais no SIGER®. A funcionalidade foi desenvolvida para simplificar a modelagem de processos produtivos, reduzindo a necessidade de criar múltiplas estruturas de formulação sem abrir mão dos controles operacionais já existentes.
Embora sua criação tenha sido motivada pelas operações com serviços externos (beneficiamentos), a solução evoluiu e passou a atender também processos realizados integralmente dentro da própria empresa. Com isso, tornou-se uma alternativa para organizações que desejam representar diferentes etapas de transformação em uma única estrutura produtiva, tornando o cadastro mais simples e facilitando sua manutenção ao longo do tempo.
Por que essa funcionalidade foi criada?
Historicamente, o SIGER® utilizava o modelo multiestrutural para representar processos produtivos que envolviam transformações intermediárias. Nesse modelo, cada etapa relevante da fabricação podia exigir uma nova subformulação, criando uma estrutura hierárquica composta por diversos níveis.
Essa abordagem atendia aos requisitos do processo produtivo, mas se tornava especialmente complexa quando a fabricação envolvia beneficiamentos externos.
Imagine, por exemplo, uma empresa que fabrica um produto passando por quatro etapas de produção, sendo duas delas executadas por terceiros. No modelo tradicional, seria necessário criar uma formulação para o produto final e outras formulações para representar cada beneficiamento realizado ao longo do processo. Conforme novas etapas eram adicionadas, aumentava também a quantidade de estruturas que precisavam ser cadastradas e mantidas.
Além da complexidade operacional, havia um fator fiscal que influenciava diretamente essa modelagem. Sempre que um material era enviado para beneficiamento, ele precisava retornar industrializado, caracterizando um novo produto. Como consequência, o processo exigia o controle de produtos intermediários e acabava aumentando ainda mais a quantidade de formulações necessárias para representar corretamente o fluxo produtivo.
Na prática, isso resultava em diversos desafios para clientes e consultores:
- estruturas de formulação extensas e difíceis de compreender;
- maior tempo para implantação e manutenção dos cadastros;
- aumento da probabilidade de erros durante alterações nas formulações;
- processos mais trabalhosos para empresas que realizavam múltiplos beneficiamentos.
Esses desafios motivaram o desenvolvimento de uma nova abordagem que permitisse representar o mesmo processo produtivo de forma mais simples, preservando os controles necessários sem exigir a criação de diversas subformulações.
Uma nova abordagem para modelar a produção
As Formulações Monoestruturais foram concebidas justamente para reduzir essa complexidade.
Em vez de distribuir o processo produtivo entre diversas formulações, a proposta é concentrar toda a estrutura em uma única formulação, utilizando produtos intermediários para representar as transformações ocorridas ao longo da produção. Assim, um produto gerado em determinada operação pode ser consumido por uma etapa posterior da mesma estrutura, sem que seja necessário criar novos níveis de formulação.
Essa mudança simplifica significativamente a modelagem dos processos produtivos e reduz a quantidade de cadastros necessários para representar operações complexas.
Outra diferença importante está na forma como a produção é controlada. Enquanto no modelo multiestrutural cada transformação costuma estar associada a uma estrutura independente, o modelo monoestrutural permite que uma única Ordem de Produção (OP) concentre todo o fluxo produtivo, registrando tanto o produto final quanto os produtos intermediários gerados durante as operações. Dessa forma, o acompanhamento da produção torna-se mais centralizado e intuitivo.
É importante destacar que essa funcionalidade não substitui o modelo multiestrutural. Ambos permanecem disponíveis no SIGER®, permitindo que cada empresa utilize a abordagem mais adequada às características do seu processo produtivo. A estrutura monoestrutural surge como uma alternativa para cenários em que concentrar o fluxo produtivo em uma única formulação oferece maior simplicidade e facilidade de manutenção.
Como as Formulações Monoestruturais funcionam na prática
O conceito das Formulações Monoestruturais vai além da simplificação do cadastro. Para que uma única formulação consiga representar todo o fluxo produtivo, o SIGER® introduz o conceito de produto intermediário, que passa a desempenhar um papel central na estrutura da produção.
Durante o cadastro da formulação, cada operação pode definir um produto intermediário que representa o resultado daquela etapa do processo. Esse produto deixa de ser tratado como uma formulação independente e passa a fazer parte da própria estrutura produtiva, sendo posteriormente consumido por outra operação da mesma formulação. Dessa forma, o processo mantém sua sequência lógica sem a necessidade de criar novos níveis estruturais.
Essa abordagem também altera a forma como a Ordem de Produção é executada. Em vez de controlar apenas o produto acabado, a OP passa a registrar também os produtos intermediários gerados ao longo da fabricação. Na prática, isso significa que uma única Ordem de Produção acompanha toda a transformação da matéria-prima até o produto final, concentrando em um único processo todas as entradas geradas durante a produção.
Outro ponto importante é que a funcionalidade, inicialmente criada para operações com beneficiamentos externos, foi expandida para atender também operações internas. Isso significa que o conceito de produto intermediário deixou de estar vinculado exclusivamente aos serviços realizados por terceiros e passou a representar qualquer transformação intermediária que a empresa deseje controlar dentro do processo produtivo.
Essa evolução tornou a funcionalidade muito mais versátil, permitindo que empresas de diferentes segmentos utilizem a mesma abordagem para simplificar processos produtivos complexos.
Configuração e regras de utilização
Para utilizar Formulações Monoestruturais, é necessário definir previamente qual modelo de estrutura será utilizado pela empresa. Essa configuração é realizada por meio do parâmetro Modelo de Formulação, que pode ser acessado através do menu GIN 1.1-P -> [Gestão Industrial]. Ele permite escolher entre o comportamento tradicional (Multiestrutural) e o novo modelo (Monoestrutural). É importante destacar que o modelo multiestrutural continua sendo o padrão do sistema, enquanto o modelo monoestrutural é uma alternativa para cenários específicos.

Além dessa configuração, o sistema exige que os Tipos de Operação estejam parametrizados para permitir o uso de produtos intermediários. Também é necessário informar qual será o produto intermediário gerado em cada operação e garantir que ele seja utilizado posteriormente em outra etapa da mesma formulação.
Embora o processo de configuração seja simples, o SIGER® aplica diversas validações para preservar a consistência das estruturas.
Nas operações de beneficiamento externo, por exemplo, o preenchimento do produto intermediário é obrigatório sempre que a operação estiver configurada para trabalhar com esse conceito. Já nas operações internas, esse preenchimento é opcional, permitindo que cada empresa utilize a funcionalidade apenas quando fizer sentido para o seu processo produtivo.
Além disso, algumas regras garantem que o fluxo produtivo permaneça consistente. Entre elas:
- o produto intermediário não pode ser igual ao produto formulado;
- o mesmo produto não pode ser gerado e consumido na mesma operação;
- todo produto intermediário deve ser consumido posteriormente por outra operação da mesma formulação;
- as operações devem respeitar as validações relacionadas ao tipo de operação, grade e demais restrições previstas pelo sistema.
Essas validações asseguram que a estrutura represente corretamente o processo produtivo e que os produtos intermediários cumpram seu papel dentro da formulação.
Reflexos na produção
A adoção das Formulações Monoestruturais também impacta a execução da produção, especialmente no controle de estoque, nos apontamentos e na apuração dos custos.
Durante a produção, cada produto intermediário gerado é movimentado em estoque utilizando a variação EI Beneficiamento, permitindo que ele seja posteriormente consumido pela próxima operação da estrutura. Esse comportamento mantém a rastreabilidade dos materiais e integra as movimentações intermediárias ao fluxo da Ordem de Produção.
No caso das operações com serviços externos, as remessas e retornos passam a utilizar o produto intermediário definido para a operação, tornando o processo mais aderente ao fluxo real da produção.
Os custos também passam a ser tratados de forma específica. Cada produto intermediário absorve apenas os custos dos insumos consumidos em sua própria operação. Posteriormente, essas informações são utilizadas na composição do custo do produto final, evitando duplicidade de valores e garantindo uma apuração consistente ao longo de toda a produção.
Essas adaptações permitem que a simplificação da estrutura não comprometa os controles operacionais do SIGER®, mantendo a integração entre produção, estoque e custos mesmo em processos que envolvem diversas etapas de transformação.
Quando utilizar Formulações Monoestruturais?
As Formulações Monoestruturais são especialmente indicadas para processos produtivos que possuem diversas etapas de transformação e que, no modelo tradicional, demandariam a criação de múltiplas subformulações.
Um dos cenários mais comuns é o de empresas que realizam beneficiamentos externos durante a fabricação. Nesses casos, a funcionalidade permite controlar os produtos intermediários diretamente na mesma estrutura da formulação, simplificando significativamente o cadastro e a manutenção do processo.
Outro cenário em que o recurso agrega valor são as operações internas que geram componentes intermediários entre diferentes etapas da produção. Em vez de dividir o processo em diversas formulações independentes, esses componentes podem ser representados dentro da própria estrutura produtiva, mantendo o fluxo centralizado e facilitando seu gerenciamento.
Imagine, por exemplo, uma indústria metalúrgica que produz um componente passando pelas etapas de corte, usinagem, tratamento térmico realizado por terceiros e montagem final. No modelo tradicional, cada beneficiamento exigiria uma nova subformulação para representar o retorno do material industrializado. Com a estrutura monoestrutural, todas essas etapas permanecem em uma única formulação: o tratamento térmico gera um produto intermediário, que é posteriormente consumido pela etapa seguinte, sem a necessidade de criar novos níveis estruturais.
Da mesma forma, uma indústria que realiza diversas operações internas de usinagem pode utilizar produtos intermediários para representar cada transformação importante do processo, mantendo toda a produção concentrada em uma única Ordem de Produção.
Em ambos os casos, o resultado é uma estrutura mais simples, organizada e fácil de manter, especialmente quando comparada ao modelo baseado em múltiplas subformulações.
Benefícios e cuidados na utilização
A principal vantagem das Formulações Monoestruturais está na simplificação da modelagem dos processos produtivos. Ao concentrar diferentes etapas de fabricação em uma única estrutura, o recurso reduz a quantidade de formulações necessárias e torna sua manutenção muito mais prática.
Entre os principais benefícios proporcionados pela funcionalidade, destacam-se:
- redução da complexidade das estruturas produtivas;
- centralização do fluxo de produção em uma única Ordem de Produção;
- diminuição da quantidade de cadastros e subformulações;
- maior facilidade para manutenção e evolução das formulações;
- integração entre produção, estoque e custos utilizando produtos intermediários;
- possibilidade de aplicação tanto em operações com beneficiamentos externos quanto em processos internos.
Além dos ganhos operacionais, essa abordagem também contribui para implantações mais ágeis e para uma compreensão mais intuitiva das estruturas produtivas por parte dos usuários e consultores, reduzindo o esforço necessário para manter processos industriais complexos.
Apesar dessas vantagens, a adoção da estrutura monoestrutural deve ser realizada de forma planejada.
O modelo multiestrutural continua disponível e permanece como padrão do SIGER®, permitindo que cada empresa escolha a abordagem mais adequada ao seu processo produtivo. Assim, antes de optar pela migração ou implantação da estrutura monoestrutural, é importante avaliar as características da produção e verificar qual modelo oferece a melhor aderência ao cenário da empresa.
Também é recomendável homologar processos que envolvam cenários específicos, como produções que atravessam períodos distintos, controle de lotes, refugos e recálculo de custos, garantindo que todas as particularidades do processo produtivo estejam contempladas antes da utilização em ambiente produtivo.
Conclusão
As Formulações Monoestruturais representam uma evolução importante na forma de modelar processos produtivos no SIGER®. Criada inicialmente para simplificar operações de beneficiamento externo, a funcionalidade amadureceu e passou a atender também operações internas, ampliando significativamente suas possibilidades de aplicação.
Ao substituir estruturas compostas por diversas subformulações por uma única formulação com produtos intermediários, o recurso simplifica o cadastro, reduz a complexidade operacional e mantém a integração entre produção, estoque e custos.
Mais do que uma nova forma de cadastrar formulações, as Formulações Monoestruturais oferecem uma abordagem mais flexível para representar processos produtivos complexos, permitindo que cada empresa escolha entre o modelo multiestrutural ou monoestrutural conforme as necessidades do seu negócio.
Essa flexibilidade torna o SIGER® mais preparado para atender diferentes realidades industriais, preservando os controles necessários e proporcionando uma gestão produtiva mais simples, organizada e eficiente.






